sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Segue o baile

Então que acabe aqui essa situação ridícula de fingir que não sou da tua conta porque meu cinismo se esgotou neste exato momento. Que as confissões sejam feitas, as fotos publicadas, as cartas entregues e o choro contido vaze. extravaze, arrase. Que cada um carregue os poucos trapos que ainda seguram o que chamamos de autoestima e que siga o baile mas desta vez sem máscara. Se escondi o desejo hoje o escancaro, se neguei o abraço que hoje seja dado. E que seja pra pedir, a hora é agora, o tempo está passando e você tem meia hora pra mudar o meu estado civil.

Mas eu sei que não vai acontecer...

O telefone não vai tocar, a minha campainha não vai soar, nem recado nem nada e então me dou conta que o que projeto que sou não coincide com o lugar que ocupo no teu apartamento e segue o baile enquanto danço sozinho.

sábado, 18 de outubro de 2008

...

Essa garoa, a rua vazia, os passos. Nem lembro que ando, não há esforço para pôr um pé frente ao outro, nem sinto o desequilibrar de ficar momentaneamente com um pé firme e o outro vago no ar. Na sucessão do movimento, me desloco. No desequilíbrio, me mantenho distante.
E então martelo, me viro em avessos, esses sortimentos que uma hora penso que inventei, que é teatro, que é personagem, onde acredito que nem há definição a ser feita.
Às vezes penso que escolhi amar e na mesma escolha optei por sofrer. Optar por sofrer...soa como masoquismo, mas dor é bom, faz entender. Dor é um feedback, confirma que o coração entendeu a mensagem, que há comunicação do cérebro com este, deste com o corpo e os fluxos onde um ponto de vista corta o sentimento. Ela vem e dói, lembra que ainda há, é, existe.
Quando penso com lucidez, essa história é feia e maldosa. Então eu analiso, sentencio como se tudo tivesse surgido para ferir e arruinar a fé de alguém que só vi em uma foto.
Quando penso com piedade, muda tudo: os personagens são tolos conforme a covardia permitida no álibi de culpar o sentimento em si e tudo vira uma fraqueza. Só enxergo perdedores, nada se recicla, tudo escoa para o mesmo mar.
Mas às vezes me pego boba, no interior da minha concha, como se tivesse guardado isso no útero, livre de todo mal e de todas as más explicações, e então você me vem bom, puro, amado. É onde me desvairio em febres, em olhares que se perdem na vidraça, em jantares que invento, em cartas que não escrevo, em meu punhado de bons momentos que alongo, espicho e rebobino. Hoje vivi mil vezes aquele beijo e pude sentir teu gosto na minha boca mil vezes como se essa interpretação repetida mantivesse sempre o sabor inalterado.
Mas então garoa à noite enquanto penso em ti. Sei que molha, mas não vejo, só olhando contra a luz amarela dos postes pra visualizar. Mas melhor que ver, é sentir.

Patty - 15/10/08

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Você não sabe e nem faz questão de saber

O caso perfeito de exatidão de pensamentos. Esse texto que pertence a Monique Frebell
foi responsável pela minha maior crise de choro. Chorei de dar pena, de emagrecer. Chorei como se tivesse perdido um filho, um irmão, um amor. Isso ao meio-dia durante o intervalo no estágio.
Não pude deixar de colocar ele aqui. Apesar da dor, do choro, do inchaço que isso provoca, fico feliz de um dia ter sentido isso. Ou ainda sinto, não sei. A única certeza é que dói.

"O que me faz pensar que eu posso cobrar de você o que eu não gosto de ser cobrada?
É por isso que mantenho minhas contas pagas e cartas seladas.
O que me fez acreditar que um dia eu poderia ser sua, que um dia eu teria você?
O que me fez acreditar em nós? O que me fez vítima? O que te fez algoz?
Você não sabe, não é? E nem faz questão de saber.
Você não sabe que quando eu fecho os olhos, te lembro.
Você não sabe que quando te abraço, te amo.
Você não sabe que quando me ausento, te chamo.
Você não sabe que quando ignoro, te quero.
Você não sabe que quando te vejo, estremeço.
Você não sabe que quando te escuto, me perco.
Você não sabe a metade do que sinto por você.
Você não sabe e nem faz questão de saber.
Você não sabe que eu choro por dentro e em silêncio.
Você não sabe que quando te toco, te tenho.
Você não sabe que quando te ouço, viajo.
Você não sabe que é pra você que me trajo.
Você não sabe que me distraio, me concentrando em você.
Você não sabe que se eu recuo, é pra tentar te esquecer.
Você não sabe que se te encaro é pra chamar a atenção.
Você não sabe que aqui bate a mil por hora um coração.
Você não sabe que a sua ausência me incomoda.
Você não sabe que a sua presença me conforta.
Você não sabe que o seu sorriso me enciúma.
Você não sabe que a sua voz me desapruma.
Você não sabe de muita coisa e eu prefiro que seja assim, prefiro que nada saiba.
Prefiro o anonimato, admiração secreta, bastidores, entrelinhas.
Prefiro me manter distante a necessitar de você, pelo menos fingir afastamento, quando na verdade, estarei bem mais perto do que você imagina, mais presente do que nunca.
Seguirei suas pegadas pela rua, à espreita.
Serei a sombra que te segue às escondidas.
E quando você sentir aquela leve sensação de estar sendo perseguido, tenha a certeza que estarei a observar teus passos, teu rumo e companhia.
Prefiro me manter contida a precisar de você, pelo menos fingir contentamento, quando na verdade estarei em tristeza mesmo com um brilho no rosto. Pode ser maquiagem, pode ser malandragem, pode ser camuflagem.
E quando você notar uma latente impressão de estar sendo amado tenha a convicção que estarei escondendo o que sinto, privando o que quero e fingindo tudo o mais que você nem sabe e nem faz questão de saber."

domingo, 3 de agosto de 2008

Jogos de azar

- Fernando, isso aqui não é um jogo.
- Sim, foi um jogo. E nós três perdemos no final.

"The love is a losing game" . Sim, o amor é um jogo de azar, Amy Winehouse está certa.
Amor é um jogo onde as apostas estão em 10 contra 1 e mesmo assim você vai lá, motivado por uma força desconhecida, um pressentimento, uma intuição. Cada um aposta mais do que tem e quando a banca ganha, nos espantamos com a perda.
Voltamos com as mãos vazias, o coração inabitado e a cabeça pesando. É a consiência que voltou das férias e está zangada com a bagunça que fizemos a nós mesmo, aos nossos princípios que penhoramos, tiramos tudo do lugar.
Dizem que apaixonar-se não dá trabalho. Que os olhos se cruzam, o coração acelera, a boca seca, bla bla bla. Sou cético demais pra aceitar a idéia de que alhuém SÓ DE OLHAR possa vir a sentir, a decidir, a saber, a se entregar mediante tão pouca informação, sem ter certeza de um nome, sem nada. Um olhar vale por mil palavras, eu sei, mas se você usar as palavras certas, economiza saliva e a mensagem vem mais claramente: "Quero ficar com você. Quero te beijar. Você mexe comigo." Viu só: usei apenas 10 palavras e a mensagem veio mais nítida, mais completa.
Se o amor é cego como pode a paixão ser à primeira vista? Sei não, acredito que a paixão é mais um cisco no olho, que incomoda, lateja, arde, mas passa e não mata ninguém.

sábado, 26 de julho de 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

M.Q.L

...

teu silêncio
é testemunha ocular
do vácuo que surgiu
do que foi dito e maldito
no vão do que sentimos